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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

APCA elege os melhores de 2016 em 10 categorias

A APCA - Associação Paulista de Críticos de Artes elegeu os melhores das artes em 2016, nesta quarta-feira, dia 30 de novembro. A votação aconteceu em Assembleia no Sindicato dos Jornalistas de S. Paulo, Os premiados na categoria de Televisão foram:

Grande Prêmio da Crítica: Domingos Montagner, pelo conjunto da obra (In Memoriam)








Novela: “Velho Chico” (Benedito Ruy Barbosa/TV Globo)
Atriz: Selma Egrei (Velho Chico/TV Globo)
Ator: Marco Ricca (Liberdade, Liberdade/TV Globo)
Diretor: José Luiz Villamarim (Justiça/TV Globo)
Série: Justiça (de Manuela Dias/TV Globo)
Infantil: “D.P.A - Detetives do Prédio Azul” (Gloob)
Cobertura Rio-2016: SporTV.



Votaram os críticos: Bárbara Sacchitiello, Cristina Padiglione, Edianez Parente, Fabio Maksymczuk, Flávio Ricco, José Armando Vanucci, Leão Lobo, Neuber Fischer, Nilson Xavier e Paulo Gustavo Pereira.




A APCA fará no primeiro trimestre de 2017, em data a ser anunciada, sua 60a. entrega de prêmios. A entidade, fundada em 1956, premia este ano os talentos das artes em 10 categorias: Arquitetura, Artes Visuais, Cinema, Literatura, Música Erudita, Música Popular, Rádio, Teatro, Teatro Infantil e Televisão. Não houve quórum para votação em Dança e Moda.


Confira os vencedores em todas as demais categorias contempladas este ano. 



ARQUITETURA
Trajetória: Sergio Ferro
Urbanidade: Projeto Ruas Abertas – Avenida Paulista / Fernando Haddad
Obra de arquitetura: Escola Senai São Caetano do Sul / Claudia Nucci e Valério Pietraróia – NPC Grupo Arquitetura
Preservação de patrimônio moderno: Luciano Brito Galeria – antiga Residência Castor Delgado Perez / Luciana Brito (promotora); João Paulo Beugger, José Armênio de Brito Cruz, Marcos Aldrighi e Renata Semin – Piratininga Arquitetos (readequação arquitetônica); André Paoliello (readequação paisagística)
Pesquisa: Atlas fotográfico da cidade de São Paulo e arredores / Tuca Vieira
Fronteiras da arquitetura: Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro / Fernando Meirelles, Daniela Thomas e Andrucha Waddington
Apropriação urbana: Ocupação Hotel Cambridge / Carmen Ferreira da Silva (líder comunitária); Pitchou Luambo (coordenador do Grupo de Refugiados e Imigrantes Sem Teto); Juliana Caffé, Yudi Rafael e Alex Flynn (curadores da Residência Artística Cambridge)

Votaram: Abilio Guerra, Fernando Serapião, Francesco Perrotta-Bosch, Gabriel Kogan, Guilherme Wisnik, Hugo Segawa, Luiz Recaman, Maria Isabel Villac, Mônica Junqueira de Camargo e Nadia Somekh


Artes Visuais
Grande Premio Da Critica: Fernando Lemos
Exposição internacional: "O Triunfo da Cor" (CCBB)
Exposição nacional: "VOLPI Pequenos Formatos" (MAM)
Retrospectiva: "No Lugar Mesmo: Uma Antologia de Ana Maria Tavares" (Pinacoteca)
Fotografia: Gal Oppido ("Sentidos da Pele")
Arte e Reflexão: "O Instante Certo" (Dorrit Harazin)
Iniciativa cultural: "Programa Metropolis" (TV Cultura)

Votaram: Antonio Santoro Jr., Antonio Zago, Dalva Abrantes, João J. Spinelli, José Henrique Fabre Rolim, Luiz Ernesto Machado Kawall e Ricardo Nicola.  

Cinema

Filme: “Aquarius”,de Kleber Mendonça Filho
Diretor: Gabriel Mascaro, por “Boi Neon”
Roteiro: Kleber Mendonça Filho por “Aquarius”
Ator: Júlio Andrade, por “Sob Pressão”
Atriz: Andréia Horta, por “Elis”
Documentário: “Cinema Novo”, de Eryk Rocha
Fotografia: Diego García, por “Boi Neon”
Votaram: Inácio Araújo, Luiz Carlos Merten, Orlando Margarido, Rodrigo Baldin e Walter Cezar Addeo

Literatura
 
Grande Prêmio da Crítica: “A Ditadura Acabada -5”, de Elio Gaspari (Intrínseca)

Romance/Novela: “Como Se Estivéssemos em Palimpsesto de putas”, de Elvira Vigna (Companhia das Letras)

Ensaio/Teoria e/ou Crítica Literária/ Reportagem: “Trópicos Utópicos”, de Eduardo Giannetti da Fonseca (Companhia das Letras)

Infantil/Juvenil: “Quem tem medo de curupira?”, de Zeca Baleiro, ilustrações de Raul Aguiar (Companhia das Letras)

Poesia: “Rol”, de Armando Freitas Filho (Companhia das Letras)

Contos/Crônicas: “A(s) Mulher(es) que eu amo”, de  Eros Grau (Globo Livros)

Tradução: “[um amor feliz]”, de Wislawa Szymborska, tradução de Regina Przybycien (Companhia das Letras)

Biografia/Autobiografia/Memória: “Rita Lee: Uma Biografia”, de Rita Lee (Globo Livros)

Votaram: Amilton Pinheiro, Gabriel Kwak, Sérgio Miguez e Ubiratan Brasil

música erudita
Espetáculo de ópera: DON QUICHOTTE de Massenet. (Theatro São Pedro, abril/2016, direção Jorge Takla)
Prêmio Especial pelo conjunto da obra: Maestro Roberto Duarte (pela revisão sistemática das obras de Carlos Gomes e de Tommaso Traetta)
Instrumentista: Emannuele Baldini (Spalla da OSESP e Líder do Quarteto  OSESP)
Regente de Orquestra: Valentina Pelleggi
Projeto Musical: Programa Preludio da TV Cultura
Cantor Lírico: Rodolfo Giugliani (Lo Schiavo, Theatro Municipal RJ outubro/2016; Il Tabarro, Teatro San Carlo de Nápoles, novembro/2016)
Votaram: Sergio Casoy, Fabio Siqueira, Tellé Cardim

música POPULAR
Grande premio da critica: Rita Lee (por sua carreira)
Artista do Ano: Céu
Melhor Álbum: “MM3”, Metá Metá
Produção e Direção Artística: Rica Amabis, Daniel “Ganjaman” Takara e Tejo Damasceno por “Sabotage”, Sabotage
Revelação: Mahmundi por “Mahmundi”
Projeto Especial: SIM São Paulo
Show: BaianaSystem
Homenagem: Fernando Faro (In Memorian)

Votaram: Alexandre Matias, Fabio Siqueira, José Norberto Flesch, Marcelo Costa, Sergio Casoy e Tellé Cardim


Rádio
Prêmio Especial do Juri: Bradesco Esportes FM, pela cobertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016
Humorista – Emerson França – Band Bom Dia – Band FM
Apresentador (entretenimento): Serafim Costa Almeida – Banda de Todas as Bandas – Capital AM 1040
Produtor (entretenimento): Mariana Piza – Programa Maritaca – Rádio Vozes (www.radiovozes.com/maritaca)
Produtor jornalístico: Renan Sukevicius – Em Alta Frequência – BandNews FM
Repórter: Marcel Naves – Blitz Estadão – Estadão FM
Colunista: – Claudio Zaidan – Esporte Notícia e Esporte Notícia Internacional – Bandeirantes AM/FM
Votaram: Fausto Silva Neto, Marcelo Abud, Marco Antonio Ribeiro e Silvio di Nardo.

Teatro

Grande Prêmio da Crítica: Maria Alice Vergueiro

Espetáculo: Sobre Ratos e Homens

Diretor: João Falcão (Gabriela, um Musical) e Kiko Marques (Sínthia)

Autor/Dramaturgia: Vinicius Calderoni (Os Arqueólogos)

Ator: Leonardo Fernandes (Cachorro Enterrado Vivo)

Atriz: Denise Weinberg (O Testamento de Maria)

Prêmio Especial: Lenise Pinheiro (pelo registro histórico da cena teatral paulista)
Votaram: Aguinaldo Cristofani Ribeiro da Cunha (votou somente o Prêmio Especial e o Grande Prêmio da Crítica), Carmelinda Guimarães, Edgar Olimpio de Souza, Evaristo Martins de Azevedo, Gabriela Mellão, José Cetra Filho, Kyra Piscitelli, Marcio Aquiles (votou somente o Prêmio Especial e o Grande Prêmio da Crítica), Maria Eugênia de Menezes, Michel Fernandes, Miguel Arcanjo Prado e Vinício Angelici

TEATRO INFANTO-JUVENIL

Grande Prêmio da Crítica – PEER GYNT, direção de Gabriel Villela

Melhor Espetáculo de Valorização da Cultura Popular -  CAMINHO DA ROÇA (Grupo As Meninas do Conto)

Melhor Espetáculo de Bonecos -  BERENICES (Grupo Morpheus Teatro)

Melhor Espetáculo de Inclusão e Acessibilidade - FEIO (Coletivo Grão de Arte e Cidadania)

Melhor Espetáculo Interativo - CHIQUITA BACANA NO REINO DAS BANANAS (Grupo Folias D’Arte)

Melhor Espetáculo de Texto Adaptado – HENRIQUES (Cia Vagalum Tum Tum)

Melhor Espetáculo sobre Diversidade Sexual e de Gênero no Universo Infanto Juvenil - A PRINCESA E A COSTUREIRA (grupo Teatro da Conspiração, de Santo André)



Votaram: Beatriz Rosenberg, Dib Carneiro Neto, Gabriela Romeu e Mônica Rodrigues da Costa



                     


quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Era "Justiça", virou vingança





Texto originalmente publicado em:

Quando a justiça se transforma em vingança


A minissérie Justiça, da TV Globo, terminou se celebrizando como uma das melhores produções da TV neste ano. Com direção de cena caprichada, capitaneada pelo excelente José Luiz Villamarim, mostrou uma total conexão entre enredo, elenco e locações. Os desempenhos de Déborah Bloch, Jesuíta Barbosa, Enrique Diaz, Drica Moraes, e as boas surpresas Cauã Reymond e Leandra Leal, em capítulos ao longo de cinco semanas de exibição, merecem elogios de parte a parte - e, convenhamos, Adriana Esteves atingiu o posto de "hors concours".

Entretanto, o diabo mora mesmo nos detalhes. Como eu já vislumbrara no texto inicial aqui publicado "Justiça é o nosso mund"Justiça" é o nosso mundo cão com verniz cult, era esperar para ver as soluções para os importantes dilemas colocados pela autora, Manuela Dias. Certamente, não cabe ao criador explicar sua criatura - uma obra de dramaturgia se apresenta por si mesma.

Não se prometia afinal um roteiro de fácil digestão. E nem estava claro se a justiça do título se referia à justiça dos homens (aquela feita com as próprias mãos) ou àquela sob o véu da legalidade e ambiente jurídico. Ainda, o título poderia estar relacionado à justiça divina, subordinada à fé de cada um e ante a qual todas as demais se dobram, segundo cada crença.

O fato é que cada historieta entrelaçada dentro da minissérie teve um percurso e desfecho pouco ou nada convencionais. Na história um, que versava sobre a relação entre uma mãe e o assassino de sua filha, aconteceu o inadmissível: a mãe se envolveu amorosamente com o rapaz (Jesuíta Barbosa), que fizera de tudo para se reabilitar após cumprir pena, e até conquistara alguma simpatia, ao cursar mestrado e se casar, mostrando-se ainda um pai amoroso e dedicado. No seu desfecho, a justiça que se fez foi divina, ou valeu a famosa lei do retorno, com uma dubiedade proposital: a passageira (Deborah Bloch) poderia ter socorrido o motorista a tempo no acidente de automóvel e não o fez deliberadamente? Nunca saberemos.

Cativante, a história dois porém não era muito verossímil. A Fátima de Adriana Esteves tinha o roteiro mais "um dia de cão" possível: perdeu o marido morto esfaqueado na mesma noite em que matou o cachorro do vizinho e por isso acabou sendo vítima de uma armação de tráfico de drogas que a deixou presa por 7 anos. Os dois filhos pequenos órfãos de pai e com a mãe detenta ficaram abandonados à própria sorte - o garoto virou morador de rua e a filha se tornou prostituta. Quando finalmente Fátima recupera a vida e os filhos à sua casa, encontra um novo amor e sua personagem tem um merecido final feliz - apesar de a filha prosseguir na prostituição.

A terceira história se dividia entre as diferenças de destino de duas amigas, uma negra e pobre (Jéssica Ellen) e a outra de classe média (Luísa Arraes). A primeira acabou presa por um mix de racismo e porte de drogas e no final encontrou a felicidade casando-se exatamente com o traficante (Vladimir Brichta). A amiga, por sua vez, teve um destino pior: sofreu a violência do estupro, ficou estéril, buscando a todo custo vingar-se do criminoso, que gozava da liberdade dos impunes. Num desfecho que pareceu inspirado em post de algum justiceiro, a moça contratou dois capatazes e, em uma cena rara na produção nacional de TV, espancou o seu estuprador até a morte.

Por fim, a última das quatro histórias terminou com um político corrupto (Antonio Calloni) que acabou atrás das grades não por suas falcatruas, mas sim condenado pela morte acidental da mulher (Drica Moraes), que o denunciara. Antes disso, ela também o traiu maritalmente. O vingador dessa história foi o mesmo personagem (Cauã Reymond) condenado por praticar eutanásia na esposa após ela ter sido atropelada sem receber socorro exatamente pelo vilão de Calloni. Não à toa, este mocinho vingador cruza com a fugitiva que matou seu estuprador num sugestivo final feliz comum para ambos.

Vivemos tempos estranhos, com proliferação de discursos de ódio e emprego oficial de soluções que se explicam pela necessidade de atingir objetivos sanadores, independentemente dos meios empregados. Quando a produção artística de alta qualidade começa a refletir essa tendência na forma de ficção com ampla aceitação por parte do público, o que de certa forma acaba legitimando-a, nunca é demais lembrar que a realidade é bastante dura e sempre, sempre pode piorar.





quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Justiça é o nosso mundo cão com verniz cult

Texto originalmente publicado em:

Sobre Justiça







Os diálogos são duros e diretos, sem meias palavras; as cenas se passam em locações ou em réplicas detalhadamente reconstituídas em estúdio, a luz é naturalista, a maquiagem só existe quando é de propósito, não há filtros para disfarçar linhas de expressão dos atores e já foram vistos até fios de cabelos brancos das atrizes e solas de pés sujos em cenas de sexo.
Justiça, série da Globo para a faixa das 22h30, traz histórias muito semelhantes àquelas que recheiam diariamente os telejornais de final de tarde, atraindo o telespectador e audiência para os casos policiais. Lembram as desgraças que vemos na TV do fim do expediente que nos dão assunto para lamentar a dureza da vida e que são exibidas em tom sensacionalista nos noticiários justamente pelas emissoras concorrentes da Globo. Definida pelos criadores como um trabalho de "dramaturgia documental", a série passa um verniz cult em acontecimentos trágicos desse nosso mundo cão.

São 20 episódios que contêm quatro tramas paralelas, com alguns personagens-chave que permeiam as várias histórias independentes e trafegam por elas em algum momento, com interconexão de cenas - esse mesmo recurso apareceu recentemente também em Os Experientes, exibida em 2015. Em Justiça, cada capítulo é dedicado a uma trama.
Autora da história, Manuela Dias (que tem colaboração de Mariana Mesquita, Lucas Paraizo e Roberto Vitorino) classificou seu roteiro como uma "pesquisa audiovisual sobre o lado pessoal da justiça". Ela contou que o ponto de partida veio de um fato ocorrido com uma empregada sua, cujo marido foi preso por matar o cachorro de um vizinho - e esse é um dos acontecimentos que marca uma das tramas. Manuela ressalta que sua ideia não foi falar nem de leis nem da justiça em si, mas do que ocorre na vida das pessoas depois que a justiça se faz e o que lhes resta para seguir adiante.
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Apresentados personagens e crimes na primeira semana, os protagonistas cumprem pena de prisão por 7 anos, cada qual por um crime diferente, e é sobre a vida a partir disso que versarão os próximos episódios.
A direção artística do premiado José Luiz Villamarim (de Avenida Brasil, O Rebu, Amores Roubados), é primorosa, com atuações idem de Débora Bloch, Adriana Esteves, Enrique Diaz, Ângelo Antônio, Marjorie Estiano, Antônio Calloni e Drica Moraes. Não dá pra elogiar o sotaque pretensamente pernambucano infringido ao elenco - à exceção do excelente Jesuíta Barbosa e sua fala genuína, já que ele é o principal representante do talento local. A emissora, infelizmente, mantém esse cacoete de forçar os sotaques em todas as suas obras com caráter regional. E ainda tem de se destacar a sempre excelente fotografia do diretor Walter de Carvalho - Luisa Lima e Isabella Teixeira completam o time de diretores.
Todas as histórias são ambientadas em Recife. No episódio inicial, Elisa (Debora Bloch) mostrou sede de vingança sobre o assassinato da filha Isabela (Marina Ruy Barbosa), morta a tiros pelo noivo ciumento Vicente (Jesuíta Barbosa). No capítulo seguinte, Fátima (Adriana Esteves) é uma empregada doméstica que tem sua pacata vida familiar virada de ponta cabeça por conta de um cachorro bravo de um vizinho policial; ela acaba matando o animal para proteger os filhos e daí começa seu inferno, já que o vizinho se vinga plantando drogas em sua casa e ela acaba presa.
Na terceira parte, o tema proeminente é o racismo, com Rose (Jéssica Ellen) sempre sofrendo por ser negra e pobre, mas ela acaba presa por portar drogas destinadas aos amigos. A continuidade de sua trama se dará ao lado da melhor amiga (Luiza Arraes), classe média e branca, que sofre um estupro. Por fim, o quarto episódio trouxe o tema da eutanásia. A bailarina Beatriz (Marjorie Estiano) é atropelada por um empresário corrupto que não a socorre. Como não aceita ficar tetraplégica, convence o marido Maurício (Cauã Reymond) a fazer eutanásia nela. Após cumprir pena, o viúvo também tem seu plano de vingança.
Muito feliz a escolha da trilha sonora, ainda mais pela música-tema que tão bem sonorizou as chamadas. Hallelujah, de Leonard Cohen, está aqui na versão interpretada por Rufus Wainwright.
Crimes costumam ser moto-propulsores de grandes tramas, e as da Globo não são diferentes. Nas telenovelas, acabam alinhavados com histórias paralelas que aliviam a carga de temas tão pesados. Para citar algumas recentes, o sucesso Avenida Brasil começava com crianças abandonadas às quais restava viver em um lixão; em Salve Jorge, havia o tráfico de mulheres para a Turquia, Amor à Vida teve o caso do bebê recém-nascido atirado numa caçamba, e em A Regra do Jogo uma facção criminosa dominava os capítulos.
O mesmo acontece na teledramaturgia exibida pelas demais emissoras. A turca Fatmagul, exibida pela Band, tinha como tema central o estupro coletivo sofrido pela heroína da história. Nas novelas mexicanas - em profusão nas tardes do SBT -, o mínimo que as vilãs fazem é atear fogo na casa da mocinha. A Record também não tem poupado violência em suas novelas e a temática bíblica de muitas de suas produções é um prato cheio dos atos mais condenáveis da história da humanidade.
As séries de curta duração, diferentemente das novelas que duram meses a fio, podem levar com mais conforto à ficção roteiros policiais fornecidos à exaustão na rotina dos nossos tribunais. Viram casos inspirados em fatos reais mas modificados para serem transformados em mera coincidência.
Nunca é demais falar de Quem Ama não Mata, de 1982. A série aturdia um país ainda sob a ditadura que tinha se chocado com o assassinato de Ângela Diniz por Doca Street, e cuja defesa num primeiro julgamento havia alegado legítima defesa de honra, com consequente abrandamento de pena.
Houve célebres produções de séries e minisséries na linha policial nos anos 90 - tipo A Justiceira, Delegacia de Mulheres, As noivas de Copacabana. No início dos anos 2000, comédias de costumes e temas mais leves dominaram. Nesta década, a Globo vem usando mais o tema, com produções como A Teia, O Caçador, Dupla Identidade. O Rebu teve remake em 2014 e tudo girava em torno de um crime. Amores Roubados e Felizes para Sempre (esta um remake de Quem Ama Não Mata), de 2015, também resultaram em assassinatos.
Neste Justiça, é acompanhar o caminho escolhido pela autora na condução e solução de cada dilema pessoal. Ver se os desfechos irão fazer eco a toda uma onda conservadora que permeia os discursos atualmente, ou se cada caso se encerrará unicamente dentro de sua própria carga de tragédia e dramaticidade.
Coincidentemente, está em cartaz nos cinemas o filme francês A Corte (L'Hermine/2015), que aborda o outro lado dos tribunais. Antes de ser um filme sobre julgamentos, é uma história pessoal sobre um juiz. Num determinado momento, o personagem principal, em meio a um tribunal de um crime terrível - o assassinato de um bebê tendo o pai como réu - diz aos jurados, num conselho para se desvencilharem de suas convicções ideológicas para estabelecer o veredito final:
"Não se trata de sabermos aqui a verdade. Nunca saberemos. A justiça consiste em fazer valer a lei".

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

O futuro dos Jogos passa na TV

 Texto originalmente publicado em:
http://www.brasilpost.com.br/edianez-parente/o-futuro-dos-jogos-passa-_b_11645694.html?utm_hp_ref=brazil
 O futuro dos Jogos passsa na TV




Fim da Rio 2016. Entre eventos assistidos ao vivo e transmitidos pela televisão - ou via streaming para qualquer dispositivo com acesso à internet -, fica a convicção de que o avanço dos esportes para as próximas edições dos Jogos Olímpicos se dará mais e mais por meio da expansão da audiência, em qualquer tela. E os dirigentes de diversas modalidades já entenderam muito bem isso, com mudanças de regras adequadas a uma transmissão dinâmica e favorável a qualquer forma de televisão.
Nos anos 80 foi a TV a responsável pela popularização de um esporte olímpico no país do futebol. A seleção brasileira de vôlei masculino, em lendárias partidas que duravam até 3 horas e tinham como atrativo um épico saque "jornada nas estrelas", elevava o esporte à categoria de espetáculo.
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Foi a seleção da chamada Geração de Prata do Vôlei, que ficou em segundo lugar nas Olimpíadas de Los Angeles (1984) com atletas como Bernard, Renan, Montanaro, William e Bernardinho - este último, técnico da seleção campeã do ouro olímpico do vôlei masculino nesta Rio 2016.
Até os anos 1990, as emissoras brasileiras que pleiteassem os direitos de transmissão de Jogos Olímpicos o faziam em forma de pool, por meio de uma entidade, a OTI (Organização da Televisão Ibero-Americana).
Além de negociarem valores, elas obrigatoriamente tinham de ter alguma tradição em cobertura daqueles que eram então chamados de esportes amadores.
A competitividade entre as redes e o crescente número de canais esportivos a cabo, bem como o surgimento de novas mídias (internet), modificaram o cenário. Garantir os direitos dos jogos passou também a ser uma questão estratégica de programação das grandes redes, com crescente potencial de atração de verbas de publicidade.
Quando o Brasil sediou o Pan-Americano de 2007, o Comitê Olímpico Brasileiro cedeu os direitos de TV para a maioria dos países da América Latina, já que suas redes não tinham recursos para pagar pelo evento. Tampouco as principais emissoras dos EUA quiseram comprar o nosso Pan.
No ano seguinte, na China, a internet já entraria como diferencial nas transmissões - o portal Terra levou os direitos de transmissão para a web. Mas a grande surpresa de negociação de direitos daquela década foi quando a Rede Globo, ainda em 2006 e na ressaca da Copa da Alemanha, perdeu o "timing" para a Record, que numa tacada inédita abocanhou exclusividade em TV para os Jogos de Londres 2012, elevando os valores a patamares nunca antes praticados no mercado brasileiro junto ao COI (Comitê Olímpico Internacional).
Essa "dormida" no ponto não mais se repetiria. Tanto que no início deste ano a Globo já assegurou os direitos das próximas Olimpíadas junto ao COI e até 2032, garantindo as futuras transmissões para todas as mídias e para a TV aberta (esta sem exclusividade), por valores não divulgados.
Só para se ter uma ideia do volume desses contratos, a líder norte-americana NBC fechou pelo período de 2021 até 2032 as edições dos Jogos Olímpicos de Inverno e de Verão por incríveis US$ 7,65 bilhões.
Em se tratando de eventos tão grandiosos e com tamanhas cifras em direitos de transmissão, não espanta que a Olimpíada venha a ser mais e mais um evento de TV.
Os números globais de audiência desta edição da Rio 2016 ainda são esperados. A NBC não esperava acusar neste ano em TV índices maiores do que os obtidos em Londres, mas como assegurou todos os direitos de internet, prevê que os públicos somados superem os números de 2012. Não obstante, já aferiu no caixa que esta foi sua Olimpíada mais lucrativa em vendas de publicidade.
No Brasil, nunca houve tantas emissoras transmitindo o evento. Só na rede aberta foram 3: Globo, Record e Band. Na TV por assinatura, as marcas SporTV (com um número incrível de 16 canais em HD), ESPN, Bandsports e Fox Sports garantiram uma variedade inédita de comentaristas, narradores e repórteres de campo jamais vista por aqui.
Boa parte das modalidades esportivas vem se adequando a estes novos tempos, quando a importância da audiência em casa tende a ser até maior do que a do próprio público de arena.
O voleibol é apenas um exemplo de esporte cujas regras mudaram a fim de tornar a modalidade muito mais dinâmica em quadra e mais aprazível numa transmissão de TV do que era há 30 anos, naquela seleção que tinha o Bernardinho de atleta.
Agora, os sets são mais breves, todo erro vale ponto para o adversário (antes havia a vantagem), há a revisão de lances em tempo real de forma eletrônica, entre outras.
No boxe, os lutadores não usam mais capacete, sob alegação de busca de maior segurança. Mas a medida também torna a disputa mais televisiva - a modalidade inclusive tenta recuperar muito do prestígio e da mise-en-scène que foi tão espertamente captada pela eficiente UFC nas transmissões de lutas de MMA.
O judô também tem novas regras e punições, como o golden score, para tornar a disputa mais atraente. São apenas alguns exemplos.
Para o desespero dos mais puristas que desprezam concessões do esporte para a cobertura da televisão, esse parece ser um caminho sem volta em busca de mais público, popularidade, visibilidade e, consequentemente, patrocínios. É também uma moeda de troca para que as diversas modalidades possam se expandir.
Em Tóquio 2020 e de olho nos jovens, os jogos terão novos esportes em competição, entre eles o skate e o surf. Com a expertise dos japoneses em tecnologia de TV, esperemos manobras radicais em nada menos do que 8K - Full Ultra HD, uma combinação de 7680 x 4320 pixels.
Ou seja, muita resolução de imagem para driblar as diferenças do fuso horário e para ver as competições nas telas de madrugada!

terça-feira, 3 de maio de 2016

Band não terá Brasileirão este ano



A Rede Globo acaba de anunciar que não mais dividirá com a TV Bandeirantes os direitos de transmissão do Campeonato Basileiro de Futebol. A medida já vale para este ano.

A emissora diz que a Band não tem mais como arcar com o evento.  Foram dez anos de exibiçao conjunta deste e de outros campeonatos. 

A Globo diz que apesar do enorme esforço de ambas as empresas para viabilizarem a continuidade da exposição conjunta do Brasileirão, o agravamento da crise econômica impediu a Band de prosseguir com o licenciamento.

Segundo a Globo, a decisão foi tomada em comum acordo e "dentro do mais elevado espírito de cooperação que caracteriza seu relacionamento de muitas décadas e que prossegue em outros eventos esportivos e institucionais."

O produto futebol, ainda que a emissora tivesse de exibir os mesmos jogos que a Globo, foi essencial para as receitas da emissora dos Saad nos últimos anos. Resta saber como a Bandeirantes irá compor suas receitas comerciais sem esse atrativo.  
Aqui, a tabela do Brasileirão 2016, que está prestes a começar:
 .

http://www.cbf.com.br/competicoes/brasileiro-serie-a#.Vyj-b3qGe4Y 

terça-feira, 26 de abril de 2016

HBO GO exibirá de graça episódio de estreia da 6a. temporada de Game of Thrones






Para quem ainda não entrou em transe com os acontecimentos da sexta temporada  de Game of Thrones, que estreou no último domingo, 24 de abril, aqui vai uma ótima notícia direto da HBO Brasil: pela primeira vez, a HBO dará acesso ao público para assistir gratuitamente às estreias de suas séries por meio do serviço HBO GO.

O canal anuncia a transmissão gratuita dos episódios de estreia das novas temporadas das seguintes séries: Game of Thrones, O Negócio, Veep e Silicon Valley – durante 30 dias, iniciando no dia 27 de abril na aba Experimente da HBO GO (www.hbogo.com.br), SEM NECESSIDADE DE SER ASSINANTE.
 
Eles informam também que será oferecido ao público acesso à pré-estreia da terceira temporada da série indicada ao Emmy®, Penny Dreadful, por tempo limitado na plataforma.

Quem nunca assistiu aos seriados, até o dia 22 de maio poderá também conhecer o início destas histórias com os episódios-piloto de Game of Thrones, Veep e Silicon Valley, e da série brasileira O Negócio que também estarão disponíveis gratuitamente na HBO GO, na HBO On Demand e no aplicativo do canal. 

Com essa iniciativa, a HBO afirma que busca ampliar o acesso do público ao conteúdo do canal. "Este serviço gratuito permitirá que novos telespectadores conheçam as séries que são exemplos da diversidade e qualidade da produção", afirmou a empresa em seu comunicado oficial.